TRECHO:
Alegria, paz, saúde àquele que me ouve:
Meus irmãos,
Com o auxílio do Eterno, vou procurar vos falar dos princípios que são a base fundamental de
nossa Ordem e que, reunidos em um corpo, poderão constituir um curso de física temporal passiva e de
física espiritual eterna.
O primeiro princípio da ciência que cultivamos é o desejo. Em nenhuma arte temporal, nenhum
operário jamais venceu, sem uma assiduidade, um trabalho e uma continuidade de esforços para chegar
a conhecer as diferentes partes da arte que se propõe a abraçar. Seria, portanto, inútil pensar que se pode
chegar à sabedoria sem desejo, visto que a base fundamental dessa sabedoria não é senão o desejo de
conhecê-la, que faz vencer todos os obstáculos que se apresentam para bloquear a saída, e não deve
parecer surpreendente que esse desejo seja necessário, uma vez que é positivamente o pensamento
contrário a esse desejo que afasta todos aqueles que procuram entrar para esse conhecimento.
Ora, é necessário, para ali chegar, trilhar o caminho em razão do afastamento de onde nos
encontramos. Aquele que crê aí ter chegado está ainda bem longe; e outro crê estar longe mas não tem
senão um passo a dar: o que deve fazer ver que o primeiro passo que se deve dar, deve ser na senda da
humildade, da paciência e da caridade. As virtudes são tão necessárias em nossa Ordem que não se pode
nela fazer nenhum progresso senão quando se avança nessas virtudes.
Mas poder-me-iam, talvez, perguntar que ligação existe entre as virtudes e as ciências? Esta
instrução será empregada para demonstrar essa necessidade.
O Ser, existindo necessariamente por si próprio, Eterno criador e conservador de todo ser, emana
de sua imensidade Divina, antes do “tempo”, seres livres para sua grande glória. Ele lhes deu uma lei,
um preceito e um mandamento sobre os quais foi fundamentada sua emanação. Esses espíritos eram
livres e não se pode considerá-los de outro modo sem destruir suas personalidades distintas.
Eles vieram a prevaricar. Qual foi a prevaricação? Sem entrar em todos os detalhes, responderei
que o primeiro crime foi a desobediência. Sendo livres, conceberam por sua plena e inteira liberdade um
pensamento contrário à lei, ao preceito e ao mandamento do Eterno. Para melhor dar uma idéia dessa
desobediência, suponha uma sentinela que se coloque de guarda, a quem se diz de observar os diferentes
pontos de sua caserna: esse sentinela é livre e não tem necessidade para que ninguém venha lhe forçar a
ficar ou a sair. Por sua própria vontade, ela deixa seu posto e desampara todos os pontos de sua caserna,
mas a sentinela é tomada e lhe quebram a cabeça. Heis uma idéia da prevaricação dos primeiros
espíritos. A prevaricação foi ter desobedecido à lei, ao preceito e mandamento que lhes haviam sido
dados desde a emanação, e de ter concebido um pensamento contrário àquele do Eterno.
Livros relacionados:
- Tratado da Reintegração dos Seres em suas Primeiras Propriedades, Virtudes e Potências Espirituais e Divinas, de Martinez de Pasqually
- O Homem-Deus – Tratado das Duas Naturezas, de Jean Baptiste Willermoz
- Iniciação Astrológica, de Papus
- O Novo Homem, de Louis Claude de Saint-Martin
- Os Iluminados: Martinesismo, Willermosismo, Martinismo e Franco-Maçonaria, de Papus
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